domingo, 8 de janeiro de 2012

Caminhos que Porto Alegre te leva


Que saudade de Porto Alegre, de sair cedinho, do sol ao nascer, do ônibus  das pessoas, das caras de sono, do vento casto da manhã. Saudade de descer do ônibus e ver pessoas iniciando mais um dia de trabalho, passar pelas ruas movimentadas, cruzar vidas, destinos, dores, histórias. Pessoas que lutam para ganhar o salário do mês, pessoas que gritam pra chamar algum freguês. Mas eu sinto saudade de Porto Alegre em si, do ritmo, dos rostos, do movimento. Do mercado Público, daquela sensação de dever sendo cumprido, e não dever pesado, porque eu estava em Porto Alegre, eu podia preencher todos os meus vazios lá. Saudade das músicas que eu ouvia, e que enfeitavam aquela paisagem, como se fosse uma orquestra harmonizada, as pombas da prefeitura que andam junto com uma simpatia indecifrável.  Saudade da arquitetura antiga, do romantismo daquele centro, do gostinho bom do café, do toque nos livros nos sebos da ladeira. Ah! E a casa de cultura enchia minha alma de coisas boas, de uma fome de saber, um transbordar de inspirações, de reflexões e de valores. É como se colocasse um óculos três dimensões e enxergasse a vida mais vibrante, a vida que pulsa. E eu me permitia sonhar lá dentro, ou deixar todas as minhas angústias tomar conta, até que transbordassem e fossem embora, junto com o pôr-do-sol do Guaíba. Até nos dias de chuva Porto Alegre era bonita, como se fosse uma obra de arte, uma dança. Todos aqueles guarda-chuvas de estampas coloridas. E aquela sensação de caos no rosto das pessoas, ou de alívio. Saudade dos musicais da Petropar no São Pedro todas as quartas feiras, no foyer. O menino com o violino, o senhor em um piano, os tambores, e o chocalho.  Musicas recheadas de histórias, e aquele cara era composto de várias pessoinhas, e naqueles acordes, o verbo sentir ganhava forma e função, e aqueles momentos deixaram sentimentos estampados em mim.
Talvez o mais engraçado, e talvez filosófico/científico/intrigante, é saber que ao ouvir uma música, a lembrança te leve para o momento, te trazendo as sensações que tu já sentiu. A música que me transportou pra dentro do ônibus, da mesma forma que eu a ouvia. E  me fez sentir a sensação da manhã, das ruas de Porto Alegre. Da mesma forma, é a lembrança que nos atinge nos fazendo sorrir como no momento, na ação. O choro se encontra com uma lembrança triste, e o embaraço com uma situação que te faz estremecer, e fazer coisas tolas. A lembrança traz sentimentos, a música é uma alavanca que ativa a lembrança. E ti faz rir sozinho que nem um louco.
Fim de tarde -  Acústicos e Valvulados

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