quinta-feira, 17 de junho de 2010

Simples e de coração


Eu ouvia elas atentamente, as suas histórias reais, partilha, cada qual mais impressionante, triste, daquelas que nos fazem sentir a angústia por dentro. Jamais poderia imaginar que por trás de meninas tão lindas, de sorrisos alegres, que transbordavam simpatia, houvesse tal superação, tal sufoco, tal dor. Doeu-me. Estávamos lá, na tumultuada biblioteca, em uma sala fechada, vidro fume, estudantes de Direito, a discutir sobre o direito da criança e do adolescente, e foi então, que começamos a contar nossas infâncias.
Ao fim, alguma coisa deu errado em mim, não sei como explicar, mas era uma vontade imensa de abraçá-las, e mais, de correr pra casa, noitezinha fria, abrir a porta e gritar um alto muito obrigada e dar um abraço forte e apertado em meus pais. Pois, há pouco, eu teria saído de casa irritada, motivo? Minha mãe queria arrumar minhas roupas, e eu a repreendera. Motivo bobo? Sim muito bobo, bobo demais. 
Nós conversamos muito. Histórias de vida. Vidas jovens. Então remexemos na memória, no baú da rica infância. Aquela conversa inteirinha me doía. Doía por dentro. Doía de tanta compreensão. Aquelas minhas amigas, que por meu prematuro ponto de vista, deveriam ser felicíssimas, pois eram na verdade, grandiosas vencedoras, guerreiras, teriam superado momentos difíceis, problemas com pessoas que amavam, em uma das fases mais marcantes da vida, a infância.


Me impressionou todos os instantes daquela conversa. De todas elas, eu fora a mais calada, não por não ter o que falar e histórias pra contar, foi automático, eu só sabia ouvi-las. Me sentia mergulhada, minha atenção, minha compreensão estava submersa. Em cada olhar um desconsolo de nostalgia, em cada palavra um desabafo, em cada suspiro uma cumplicidade. Nós continuávamos resistindo, segurando barras. 

É bom saber que temos com quem contar, e que não estamos sozinhos na vida, que não existem problemas exclusivos e intermináveis. De tudo o que vivemos, precisamos absorver lições. Momentos bons, momentos difíceis, passam, passam. Deixa passar.


Por fim, posso assim dizer que tenho amigas fortes, lindas e sorridentes. Cada qual com a sua história, cada qual com o seu brilho no olhar, que faz continuar. Eu admiro vocês. De tudo isso eu trago amizade, sorrisos, choros, exemplos de luta e vitória.

Mas pra que esse texto gigante? É pra expor um pouquinho do meu sentimento, escrever alivia, faz bem. E não, não é egoísmo, e sim uma extrema vontade de compartilhar uma lição. O valor do hoje, o simples e verdadeiro valor das pessoas que estão em nossa volta. O valor de cada dia. Da possibilidade de mudança! Acordar na manhãzinha ensolarada e agradecer por mais um dia e mais uma oportunidade de melhorar as coisas, de torna-las diferentes e melhores. Coisas simples, tomar café, dar bom dia (...) ouvir suas amigas. E como diz em latim, o sábio professor Britto, "Sol lucet omnibus"- "O sol nasce para todos". Ou para os que não compreenderem este texto, "Stultorum infinitus est numerus"- O número de idiotas é infinito.



3 comentários:

  1. ai amiga, tu é muito linda e amada, ficou lindo demais esse texto, to impressionada com teu talento pra escrever, muito bom mesmo, amei esse texto. Uma lição mesmo. Beijão Jéssica Machado.

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  2. Achei ótimo o teu texto, Jéssica! Acho que acabei sentindo exatamente aquilo que tu sentiu, mesmo que por alguns segundos.

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  3. o q mais me chamou atenção neste texto foi o tua empatia e o fato de q "só sabia ouvi-lás", têm nisso uma humildade grandiosa, e uma virtude q a maioria não possui (acho q me incluo nesta maioria). parabéns pelo texto...

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