quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Coisas de vô



Todos os dias eu converso com meu vô, nem que seja um pouquinho, algumas palavras, “que sol quentinho que ta hoje”, aliás, uma das coisas que deixam o meu dia mais feliz é ficar meia horinha depois de almoçar, no sol, conversando com ele, ouvindo-o. Sabe de uma coisa, ele é o cara!
Acho que todo vô e vó é assim, até mesmo aqueles velhinhos que não possuem netos, são um pouco vô. Eles carregam um brilho no olhar, e bagagens e mais bagagens de vida, de experiências, de sabedoria. Merecem respeito, atenção e afeto. Quem nunca ouviu uma história fascinante de um idoso? É tamanha a doçura com que eles as recordam, e mais ainda, tamanha saudade dos tempos que passaram, e que para eles foram ontem.
Já tentou sorrir pra algum velhinho na rua? É tamanha a doçura que carregam ao olhar. Já lhes desejou um bom dia com educação?
O meu vô adora me contar histórias, talvez ele tenha repetido várias, mas não vejo problema algum, dizem que a repetição é a mãe da sabedoria, não é?
Bom, mas o que importa é que um dia eu prometi pra ele, que um dia escreveria sua biografia, pois histórias, tão tão maravilhosas, tão tão fascinantes, não poderiam se perder ao tempo, e ele respondeu-me que para escrever um livro precisa-se de muita dedicação, muito mais do que apenas informações.
Pois bem, tempos passaram-se, e eu escrevi alguns parágrafos de sua mocidade, entretanto, as guardei.

Outrora, no quentinho do sol, debaixo daquele verde parreiral, eu conversara com meu vô, e ele acabava de me contar de seu fascínio pela jovem jaci, que era de Guaíba, quando eu o interrompi.
 - Vô, nós vamos escrever um livro ainda, o seu livro!
- Deixa quieto minha neta, não te afoba, escrever requer mais que fatos, sabe minha neta, a pessoa ao ler, precisa sentir. Precisa de dom, de sensibilidade.
Desanimei ao ouvi-lo.
-Volto já, vô.

Corri em casa, a impressora não queria imprimir, mal dita impressora! Parecia até um complô, quando tudo quer que você não o faça. Pois bem, depois de muito esforço, imprimi aquela folha.
Ao voltar, expliquei-lhe, e comecei a ler.
 (…) Ele era João Perla e Ela Maria Jaci Martins.
Ao fim, olhei para ele, senti uma dor forte no peito, e a angustia tomou conta de mim. Meu vô, o meu vô estava a chorar. As lágrimas estavam a cair, e ele balançava-se quietinho. Eu o abracei, e não tocamos mais naquele assunto.
Sem muita coragem, resolvi postar no blog, o texto abaixo foi o que eu escrevi pra ele, e esta aí, pra quem quiser ler e conhecer um trechinho da história do meu super vô. Uma história fascinante, que nos mostra o quanto uma vida pode ser cheia de surpresas.

Um comentário:

  1. Concordo plenamente contigo jessica,pois temos que falar das pessoas em que nos inspiramos e amamos,ou seja,tu te inspiraste no teu avô.Até quando ví que era teu avô,fiquei muito feliz,mas tambem triste,feliz por tu desabafar sobre a vida da tua familia,e a triste,é que me lembrei que a pouco tempo perdi me vô.mas mudando de assunto."PARABENS POR ESSA POSTAGEM JESSICA E QUE DEUS ILUMINE SUA FAMILIA"

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