Todos os dias eu converso com meu vô, nem que seja um pouquinho, algumas palavras, “que sol quentinho que ta hoje”, aliás, uma das coisas que deixam o meu dia mais feliz é ficar meia horinha depois de almoçar, no sol, conversando com ele, ouvindo-o. Sabe de uma coisa, ele é o cara!
Acho que todo vô e vó é assim, até mesmo aqueles velhinhos que não possuem netos, são um pouco vô. Eles carregam um brilho no olhar, e bagagens e mais bagagens de vida, de experiências, de sabedoria. Merecem respeito, atenção e afeto. Quem nunca ouviu uma história fascinante de um idoso? É tamanha a doçura com que eles as recordam, e mais ainda, tamanha saudade dos tempos que passaram, e que para eles foram ontem.
Já tentou sorrir pra algum velhinho na rua? É tamanha a doçura que carregam ao olhar. Já lhes desejou um bom dia com educação?
O meu vô adora me contar histórias, talvez ele tenha repetido várias, mas não vejo problema algum, dizem que a repetição é a mãe da sabedoria, não é?
Bom, mas o que importa é que um dia eu prometi pra ele, que um dia escreveria sua biografia, pois histórias, tão tão maravilhosas, tão tão fascinantes, não poderiam se perder ao tempo, e ele respondeu-me que para escrever um livro precisa-se de muita dedicação, muito mais do que apenas informações.
Pois bem, tempos passaram-se, e eu escrevi alguns parágrafos de sua mocidade, entretanto, as guardei.
Outrora, no quentinho do sol, debaixo daquele verde parreiral, eu conversara com meu vô, e ele acabava de me contar de seu fascínio pela jovem jaci, que era de Guaíba, quando eu o interrompi.
- Vô, nós vamos escrever um livro ainda, o seu livro!
- Deixa quieto minha neta, não te afoba, escrever requer mais que fatos, sabe minha neta, a pessoa ao ler, precisa sentir. Precisa de dom, de sensibilidade.
Desanimei ao ouvi-lo.
-Volto já, vô.
Corri em casa, a impressora não queria imprimir, mal dita impressora! Parecia até um complô, quando tudo quer que você não o faça. Pois bem, depois de muito esforço, imprimi aquela folha.
Ao voltar, expliquei-lhe, e comecei a ler.
(…) Ele era João Perla e Ela Maria Jaci Martins.
Ao fim, olhei para ele, senti uma dor forte no peito, e a angustia tomou conta de mim. Meu vô, o meu vô estava a chorar. As lágrimas estavam a cair, e ele balançava-se quietinho. Eu o abracei, e não tocamos mais naquele assunto.
Sem muita coragem, resolvi postar no blog, o texto abaixo foi o que eu escrevi pra ele, e esta aí, pra quem quiser ler e conhecer um trechinho da história do meu super vô. Uma história fascinante, que nos mostra o quanto uma vida pode ser cheia de surpresas.

Concordo plenamente contigo jessica,pois temos que falar das pessoas em que nos inspiramos e amamos,ou seja,tu te inspiraste no teu avô.Até quando ví que era teu avô,fiquei muito feliz,mas tambem triste,feliz por tu desabafar sobre a vida da tua familia,e a triste,é que me lembrei que a pouco tempo perdi me vô.mas mudando de assunto."PARABENS POR ESSA POSTAGEM JESSICA E QUE DEUS ILUMINE SUA FAMILIA"
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